quinta-feira, 19 de junho de 2008

Ciúmes

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5 comentários:

Marcio disse...

Sim Georgia,
Quando sentimos ciúmes da pessoa amada é porque estamos nos achando tão pequenos que não merecemos o amor dessa pessoa. É estranho essa falta de confiança que as pessoas têm, tanto em si mesmas quanto na pessoa amada.

Para mim isso não faz sentido.
Foi-se o tempo que um relacionamento era um monolito eterno e rígido. Hoje temos a possibilidade de escolher se queremos continuar ao lado de uma pessoa, portanto as pessoas deveriam pensar mais, "Se essa pessoa está ao meu lado é por opção e isso é sinal de que ela gosta de mim". E a partir daí confiar mais nessa pessoa, e confiar mais em si mesmo.

Ter ciumes da pessoa amada é muito triste.

Obrigado de novo por mais um texto de grande sensibilidade.

Beijos de um grande fã,
Marcio

Carlos Henrique Vólaro disse...

Oi Georgia! Pelo visto parece que estou me tornando um leitor... Bem, vou tentar ser o menos chato possível no meu comentário, ok? É difícil, mas vou tentar. Lá vai:

Isso que vou falar pode chocar quem porventura vá ler, mas acredito que os ciúmes não são naturais. Não há nada de "instinto de sobrevivência" nisso, ou não haveria sociedade alguma na história da humanidade onde os ciúmes não existissem, não é verdade? Simplificando, se os ciúmes fossem algo natural, todos sempre teriam, agora ou antes. E nós sabemos bem que não foi assim sempre.

Os atenienses diziam que em Esparta não haviam adúlteras. Era como um ditado popular por lá. E a razão disso é que era comum as mulheres espartanas terem filhos de vários homens diferentes... Afinal, em uma sociedade extremamente belicosa onde a maioria dos homens em idade adulta estava constantemente fora da pólis em expedições de guerra, alguém precisava transar naquela joça, não?

Ah, para as feministas de plantão: não há nada de feminismo nesse ato. A mulher era vista nessa sociedade como pouca coisa mais que "parideira de cidadãos-guerreiros para a pólis".

Os celtas, por outro lado, constituíam sociedades matriarcais. Os "casamentos" entre os celtas eram menos complicados que os nossos. Eles tinham a opção, por exemplo, de casar por "um ano e um dia". Depois poderiam renovar os votos ou simplesmente continuar a vida sozinhos ou com outras pessoas.

Me pergunto então onde estavam os ciúmes entre essas pessoas com hábitos diferentes dos nossos... Acredito que a idéia de ter direitos sobre outra pessoa - em uma corruptela da nossa idéia sobre propriedade - seja algo construído historicamente.

Não saberia demarcar um momento onde isso começou a ganhar força, mas sabemos que entre os romanos, por exemplo, era muito comum haver relações sexuais entre pessoas casadas com outrém. Todo homem tinha suas concubinas e era comum as mulheres de famílias abastadas terem seus "affairs" com gladiadores e escravos em geral.

Enfim... na prática, eu não consigo ser ciumento. Não é por nada não, mas só acho que dá muito trabalho. Quando se está com alguém, você só pode confiar. Não há nenhuma outra opção viável: ou você fica neurótico, vigiando a parceira 24hs por dia - e ainda assim, ela pode te trair e você nunca saberá - ou você liga o famigerado "foda-se" e mantém a sanidade.

Eu escolhi essa última. Funcionava quando eu namorava.

Beijos,
Henrique

Thiago dos Reis disse...

Rebatendo o comentário do Carlos...

ele se limitou a falar de ciúmes por pessoas.. e isso é cultural.

Se você é educado desde criança em determinada cultura poligamista, por exemplo, você não sentirá ciúmes do cônjuge.

Porém, duvido que um guerreiro que amasse sua lança, por exemplo, deixaria que um guerreiro desconhecido a usasse.

É um sentimento de posse, não? Poderia ser descrito como ciúme.

O ciúme está diretamente ligado à posse e indiretamente à inveja.

Depois vejo se escrevo um texto sobre isso,e linko aqui.

Kisses! :*

Thiago dos Reis disse...

ah... diz a frase:

'quem sente ciúmes, ou ama ou quer amar.'

não está de todo correcta, mas é por aí.

Bruno disse...

Existe um mecanismo conhecido na psicanálise como projeção. Muitas vezes projetamos aspectos da nossa personalidade nos outros, resumindo, o ciumes pode não se tratar de uma insegurança, mas de projetar no outro uma possibilidade sua de traição, então você fica com ciumes por que vc sabe que pode trair.